Little redhead


04.06.2020

Galeria + Wauk: Investimentos feitos no Nepal!

Faaaala galera! Como vocês estão??

Hoje vou contar pra vocês um pouquinho sobre os investimentos que conseguimos levar pa Vila Patle, no Nepal, através do comércio das minhas fotos documentais. Pra contextualizar, vou voltar pra 2015...

Naquele ano, uma série de terremotos devastaram o Nepal. Mais de 8 milhões de pessoas desabirgadas, mais de 8 mil mortos. Daqui eu ficava acompanhano das notícias e pensando: como está esse povo? Do que eles estão precisando? O que é estar em um país devastado por uma catástrofe? Então resolvi iniciar um trabalho documental em comunidades em vulnerabilidade social, ou atingidas por desastres naturais, pra entender melhor as reais necessidades de cada local. Pra não me alongar tanto, durante os dias que passei por lá, consegui perceber que muitas vezes a gente acha que tá ajudando alguém, mas de fato pode estar atrapalhando. Mas por que diz isso Rafa? Vou te mostrar um exemplo: na época, muita gente estava enviando alimento pro povo do Nepal, entendendo que eles precisavam de comida naquele momento. Mas na verdade, eles não precisavam desse tipo de ajuda, mas sim, de dinheiro pra reconstrução de casas, de escolas, de banheiros... O Nepal tem terra fértil, produz muito arroz, milho. Chegou um ponto em que o arroz que muita gente enviava pra lá estava estragando, eles precisavam fazer vinho com o arroz pra aproveitar. Então percebi que antes de tentar ajudar alguém ou alguma comunidade, a gente precisa escutar o que eles têm pra nos dizer, são eles quem vão mostrar o que realmente precisam. NOTA: Guardem essa informação, vai ser legal lembrar dela quando eu chegar no final da história :)

Depois dessa experiência, eu fiquei algum tempo tentando encontrar uma maneira de, através das fotos que fiz por lá, conseguir levantar fundos pra levar ajuda pra Vila Patle, uma vila muito remota e que precisava muito de ajuda. Comecei a vender quadros e fotos e usar parte do lucro pra conseguir levar algum tipo de ajuda pra eles. Mas como ajudar?? O que fazer?? Aí comecei a resgatar algumas histórias que vive por lá naqueles dias e me lembrei de uma cena. Uma noite chuvosa, estava dormindo na casa de uma família da Vila Maidene, a caminho da Vila Patle. Era noite, estava eu e Lucas, um grande amigo, reunidos com a família à beira de um fogão a lenha dentro da casa. Detalhe.. não tinha chaminé. A luz do fogão a lenha era a única fonte de iluminação pra casa. Agora pensa comigo: as crianças chegavam a caminhar  de 2 a 3h pra chegar na escolinha e poder estudar. Depois da aula, tinham que voltar pra casa, e aí já era praticamente noite. Como estudar em casa sem fonte de luz? E mais, como estudar em meio a fumaça que o fogão jogava pra dentro da casa? Era praticamente impossível ficar de olhos abertos, agora imagina estudar nessas condições? Foi aí que decidi que uma forma de ajudar a Vila seria levando energia solar pra comunidade. E conseguimos! Com o início das vendas em 2016, fomos arrecadando fundos e conseguimos enviar as primeiras placas de energia solar pra vila, o primeiro gerador e o primeiro computador! O computador era importante pra que os professores da escolha pudessem melhorar o ensino das crianças. Esse foi o primeiro passo de um caminho muito longo que ainda temos pela frente! Numa segunda etapa, com menos recursos, conseguimos comprar uma impressora e uma câmera fotográfica pra vila. A impressora era necessária para que os professores pudessem imprimir atividades didáticas pros alunos, e a câmera fotográfica, pra incentivar o registro histórico da comunidade. 

Agora, em 2020, retomei o trabalho da Wauk em um novo formato, se tornando um braço dentro da minha galeria. Mudamos a porcentagem que vamos usar para investir em projetos, a princípio aqui no Brasil, para 15% do lucro. Um novo formato pra que o negócio seja sustentável a longo prazo. 

E agora, fiquem com algumas imagens que o nosso amigo Pemba Sherpa fez pra gente. O Pemba mora em Kathmandu, nascido na Vila Patle e que luta diariamente pela melhoria da qualidade de vida do seu povo. Ele fotografou a chegada dos primeiros investimetnos que enviamos pra lá! =D